Sunday, 30 October 2005

Quando havia lado B


Houve, obviamente, uma altura em que o minha maior colecção era de cassetes e lembro-me do orgulho que foi quando já não tinha espaço para as guardar na mesma prateleira. Dizem que é do signo, mas sempre me deu para as fazer bonitas, com as lombadas escritas a computador e numeradas. Para os números usava, claro, os papelinhos que vinham nas caixas, com as indicação de lado A e B.

Recuperava as enroladas: ia buscar uma chave de fendas do meu pai e desenrolava-a pacientemente com uma bic – boas para isto pelo formato.

Os decks de cassetes da minha aparelhagem, que tem 12 anos, estragaram-se pelo menos há cinco, pelo que nunca mais gravei nada: nem cassetes de «música variada», que me demoravam uma tarde inteira a fazer, nem da rádio.

Herdei algumas e passaram para o carro. Mudei de carro há dois anos e perdi também o autorádio de cassetes, passando a ter cd. Morreram as cassetes. Ou quase. Estão guardadas em caixas, não tenho onde as ouvir, mas também recuso-me a deitar fora. É música. É minha.

Quando comprar cds passou a ser uma coisa possível mais amiude do que antes, fiz um esforço para renovar algumas delas, como os Pearl Jam ou os Doors, mas, por exemplo, os Alice e Chains ficaram para trás. Só tenho o «Unplugged» porque foi prenda de natal. Acho que nunca pus a mão no «facelift», mas ouvi vezes sem conta a conbinação SAP/Jar of flies. O Dirt deve estar na cassete cento e tal e aquele do cão com três pernas também nunca ouvi (excepto as que estão no MTV). É pena, espero um dia poder fazer justiça a isto e comprar os cds.

Ou então não e até lá vem o natal.

21 comments:

O Acordeonista said...

Não sei se é do signo. Eu também era assim com as compilações. Um amigo meu deu-me uma vez um programa informático: Microsoft Publisher. E eu desenhava as capas. Uma maravilha. Padeço da mesma dificuldade que tu. Só que eu posso-as ouvir, mas não o faço por preguiça. Estão ali todas guardadas numa caixa de ténis da "adidas". Organizadas, claro.

innocent bystander said...

bom, desenhar as capas também não. Só escrevia o alinhamento com uma caneta de bico fino preta e a minha melhor letra. organizadas, claro.
(obviamente, cassetes de video o mesmo processo)

O Acordeonista said...

O audio teve sempre um papel mais influente em mim. O vídeo já não tanto. Realmente lá dizem: "Sozinho em Casa"; "Jurassic Park"; "Onde Pára a Polícia", etc. E lá estão nas caixas do Continente, do Jumbo, da Raaks... etc. Nunca comprei caixas de plástico para o vídeo.

innocent bystander said...

não, caixas de plástco também não, até porque não comprava a tv guia para ter as capas - ou melhor, as capas que saíam eram de filmes foleiros, não os que eu gravava. Além disso, a caixa taparia a lombada feita por mim com o nome do filme...

O Acordeonista said...

Estive muitas vezes tentado a fazer bases de dados informáticas, com informações dos vídeos, cassetes e cds. Mas não valia apena pá. Isso era o cúmulo.

innocent bystander said...

eeerr, bom, não, isso também não arranjei pachorra. Mas comecei uma de livros...

O Acordeonista said...

Nope. Nos últimos tempos fui perdendo essa capacidade organizativa. Vou dar um salto até à sala, para ver um clube de futebol. Até logo.

Moon Shadow said...

Os meus decks funcionam :)
mas realmente agora não uso muito as k7's, desde que há dois natais me ofereceram um discman de mp3 que substituiu o meu walkman.

agora só as uso para gravar concertos da antena3. :)

innocent bystander said...

bom, mas desde já vos garanto que ando à procura de novo sistema de som. E com decks, claro!

Jo said...

eu tenho 2 decks e o belo autorádio...mas mm assim confesso q já n recorro mto às k7's.

mas tb eu era organizada, tinha a mania das compilações, e tenho-as todas guardadas em caixas!
de qd em vez pego em algumas e levo-as para o carro :) matar saudades das musiquitas do antigamente!

Portuga said...

Eu sinceramente não tenho a mínima saudade das cassetes. Então hoje que é possível criar CDs com colectâneas, a ideia de voltar a enfiar uma cassete num leitor parece-me completamente aburda. Para dizer a verdade não faço colectâneas em CD, já não tenho pachorra. Aliás a música foi relegada para um plano da minha vida que eu nem consigo enumerar.

Fúria catalogueira só me dá às vezes em relação à minha BD, que tenho imensa em revistas estilo Tintin.

diane said...

As belas tardes passadas a gravar cassetes intituladas "vários"...substituidas agora pelas tardes a passar musica para o i-pod (embora eu tenha descoberto que não mereço um i-pod porque não tenho pachorra para fazer download de musicas e passa-las para o mecanismo).
O rádio do meu carro deixou de dar rádio...e foi bom, porque descobri cassetes que são verdadeiras preciosidades, desde as intituladas "vários" ao primeiro album do abrunhosa, o "viagens"!!!
é bom recuperar coisas, quase o mesmo prazer que se tem a descobrir coisas novas;)

esdruxulando said...

Também tenho algumas cassetes dos aic, incluindo a combinação SAP/Jar of flies :) Quando era puto a minha parte preferida da gravação da cassete era colar os autocolantes todos. Depois cresci, apareceram os CD's e assim que adquiri o CD do vs. dediquei-me a enrolar a respectiva cassete ao contrário e a ouvir o rearviewmirror do outro lado da fita e do fim para o princípio.

innocent bystander said...

esdruxulando: caramba, e o que é que dá o rearviewmirror ao contrário?... prai um mirror...

O Acordeonista said...

O Rearviewmirror acho que não diz nada. Mas o Pry,To, no Vs., diz que, ao contrário, tem uma mensagem do Eddie Vedder para o Pete Towsend, dos The Who. Acho que é algo "Pete Towsend saved my life", ou uma cenaita assim.

innocent bystander said...

uma espécie de «i love you, pete» usando as técnicas do diabo? I love it. Olha, os The who são mais uma razão para eu gostar tantos dos CSIs

O Acordeonista said...

Os The Who são uma razão para gostar de tanta música! Quase tudo no fim dos 80 e princípio de 90 tem influência deles. Com a breca.

innocent bystander said...

pois devem ser. Só nunca estive muito exposta a eles,por acaso.

bonifaceo said...

Uma correcção aqui dum gajo que idolatra o grunge, e os Pearl Jam vêm em 1º da lista :D. A Pry, To é do Vitalogy, que foi durante anos o meu álbum favorito, agora já não sei, porque aquele Ten, cada vez que o oiço (o VS. também é dos meus 3 favoritos)...
O Eddie Vedder quando recebeu o prémio para a Jeremy de melhor vídeo disse que foi graças à música que não acabou como o rapaz do vídeo, por isso, até é possível que a Pry, To tenha alguma mensagem...
Quanto aos AIC adoro o Dirt, porque prefiro o som mais pesado do grunge às baladas, embora às vezes saiba muito bem ouvi-las.
Quanto às k7's, comecei tarde a prestar atenção à música, então comecei com gravações de cd's de um colega meu para ficar a conhecer, e depois comecei a comprar os meus cd's e deixei de ouvir. Agora só compro mesmo o que oiço, e compro muito pouco porque vai muito mal de economias, mas ao longo dos anos consegui acumular 60 e tal cd's.
Tchi, que comentário grande o meu...

bf said...

queres um leitor de cassetes?
sou gajo para te facultar um excelente - que não uso por não ter, nem querer, cassetes! baratito: tipo pelo preço de um jantar no Calcutá! seguido de copos, eventualmente pagos por mim...

innocent bystander said...

olha...
estou à beira de comprar um cenário assim com k7 incorporada, mas podemos manter a janta, na boa.