Thursday, 6 October 2005

A explicação que faltava (ou não)

Nunca li, nem pretendo ler. Nunca ofereci, nem pretendo oferecer. Vou deixar de falar a quem mos tentar emprestar ou dar. Falo da Margarida Rebelo Pinto. Podem dizer-me «ah, e tal, só lês se quiseres, e porque é que as pessoas não podem ver o big show sic se quiserem, e não sei quê». Tudo muito bem, mas aqui está a explicação sobre o porquê de não ler aquilo. Nunca.

[visto e lido via The Estrogen Diaries. obrigada, meninas, uma vénia JPG]

14 comments:

Pim said...

Genial! Eu sabia que havia um motivo (um? milhões!) para nunca ter lido. Nem mais uma linha!!!
Bacci!!!

Senador said...

A critica é excelente! Nunca li nem nunca hei-de ler muito menos depois deste texto...
O que a Margarida Rebelo Pinto tem é uma grande sorte de viver à custa de copy/paste sempre do mesmo livro!

Misunderstood said...

Eu li o «Não há coincidências», confesso. Opá, estava numa casa «emprestada» não tinha mais nada para ler, a tv estava Kaput e as insónias n me deixavam dormir. Decidi arriscar. Como as expectativas já eram baixas, não me chocou. História fácil, fácil e cheia de clichés. Realmente a gaja é de fazer copy/paste, já percebi e esta crítica está realmente excelente. Eu dei o benefício da dúvida. Li para poder criticar. A minha conclusão: já tive a parte que me toca e não quero mais, obrigada.

Portuga said...

Eu confesso que nunca li nada da Margarida meramente por preconceito. E o preconceito é tão grande que nem vou ler sobre justificações para não ler. Mas admito que é uma vergonha. Ter preconceitos é tão feio.

Portuga said...

Mas sem querer desculpar a Margarida, a verdade é que a técnica do copy paste é muito utilizada, mesmo a nível internacional. Eu apenas li "O Código de Da Vinci", mas quem lê a descrição desse e dos "Anjos e Demónios" fica com a ideia de que a história é a mesma. Uma outra autora de Ficção Científica de que até gosto, a Elizabeth Moon, faz a mesma coisa nos seus livros. As histórias têm sempre os mesmos contornos, depois o que muda são as personagens e as situações específicas. Quando os escritores encontram uma fórmula que funciona repetem-na porque paga. O mesmo se vê na música, vidé Cramberries. Outro exemplo que não me orgulho de referir são os filmes do Van Damme. O rapaz é sempre irmão de alguém que foi morto em circunstâncias inaceitáveis e depois azar, lá tem de se vingar e matar uma data de gajos à porrada.

É assim, a vida. A imaginação é algo que vale muito e se paga bem, precisamente porque existe em poucas quantidades. E as fórmulas que funcionam uma vez são espremidas até ao último pingo.

innocent bystander said...

ou então mataram-lhe a mulher e os filhos, portuga. a fórmula é sempre a mesma, de facto.

Sobre o dan brown, que já li, também é verdade: a estrutura do Anjos e Demónios e do Código Da Vinci é igual: capítulos curtos, começa com uma chamada telefónica, há uma gaja, há um twist final. Enfim.
Mas o que mais me chocou na MRP e até surpreendeu foi a repetição de FRASES INTEIRAS! Ideias eu ainda comia na boa, agora as mesmíssimas palavras é que não há pachorra.


Pois, Pim, também pensei baixinho pra mim «eu sabia, eu sabia!»

Portuga said...

Frases inteiras?!?! Essa não me passava pela cabeça.

innocent bystander said...

Frases inteiras é a Rebelo Pinto, pois. Aliás o senhor que fez a crítica até descobriu PÁGINAS iguais no MESMO LIVRO. A sério, vale a pena ler aquilo.

just me said...

Este "post de opinião" está espalhado pela blogosfera inteira!!!!
Vou ter que admitir que li o Sei lá! Fiquei um bocado mal impressionada, mas como era para passar o tempo não liguei muito. Até ao dia que resolvi comprar o "I'm in love with a popstar" para uma prima mais nova. Tinha o livro em casa à espera de ser oferecido, ainda não estava embrulhado e resolvi espreitar para ver que tal era. Resultado???? No dia seguinte fui comprar outro presente para a minha prima! Fiquei com vergonha de lhe dar algo tão mau!!!!!

innocent bystander said...

pois está! Já fui a vários e deparei-me com ele.
E fizeste bem, acho que a tua prima agradeceu!

innocent bystander said...

e também está no 24 horas de hoje, ou ontem

diane said...

A minha experiência foi igual à da misunderstood, isto é, lemos o mesmo livro, não bem pelas mesmas razões, mas o resultado foi semelhante!
só me atormenta que árvores sejam derrubadas para se obter papel e depois publicar-se lá estes excrementos literários! enfim,ainda assim prefiro viver numa sociedade que "produz" estes "fenómenos"literários, e em que existe liberdade para ler,não ler, criticar ou elogiar, do que numa sociedade de proibições.
enfim, são estes pensamentos optimistas do "mais vale assim do que.." que me alimentam...

innocent bystander said...

tens razão, mais vale assim. Eu guardo pra mim o direito de não ler. Mas lá que a brigada do Farenheit 451 fazia ali um bom serviço, fazia :-)...

elisa said...

Já li livros da Margarida Rebelo Pinto. Não me lembro de qual mas sei que não fiquei com vontade de conhecer o resto dos livros que lançou para o mercado.
Fiquei indiferente.
Contudo, não consigo achar motivos para tamanha indignação.
Depois de se ler a crítica de João Pedro George, não persiste nenhuma dúvida sobre a qualidade de escrita de Margarida Rebelo Pinto. Há de facto algo de muito embaraçoso na mediocridade da sua escrita. Risível até.
Mas, por isso mesmo, porquê continuar a bater no ceguinho?