Friday, 7 April 2006

Futilidades

Ora o Xano, rapaz atento às estupidezes nos jornais e a tudo o que nos manieta, tropeçou num restaurante onde se paga ao tempo, não ao que se come. Por 20 minutos, paga-se 10 euros. Se se estiver mais tempo, paga-se mais.

As televisões pegaram no assunto e hoje nos telejornais das 13 foi vê-las publicitar aquilo como um coisa moderníssima, única não só lá no bairro onde fica o comedouro - com um buffet de qualidade superior (!) - como em todo o mundo. Por alguma razão deve ser único... Eis que entra em cena o robótico gerente: «De acordo com o nosso estudo de mercado, as pessoas demoram 15 minutos a comer, se eliminarmos os tempos fúteis à mesa. Nós ainda damos 5 minutos aos nossos clientes.» Obrigadinho, pá.

Todo o pagamento se processa através de um cartão que se vai carregando. O mais giro é que se uma pessoa não gastar o dinheiro todo, este não lhe é devolvido, tem de voltar lá para consumir o resto da guita, no bar ou na cafetaria.

Pois eu digo a este senhor, que o melhor da refeição é a futilidade à mesa. A conversa de chacha, o brincar com bolinhas de pão, o atirar dos pacotes de açucar, o deixar um bocado de vinho para beber depois do café. O pedir a conta quando se tem vontade. Acima disto tudo, mesmo que eu esteja muito caladinha a enfardar, não como em 20 minutos.

Podem meter a ideia, os estudos de mercado, os cartões recarregáveis e o buffet de qualidade superior num sítio que eu cá sei.

12 comments:

elisa said...

Apoiado:)!

esdruxulando said...

olha, eu vou mais longe: metam a ideia no cú!! isso não é um restaurante, é uma manjedoura.
já é triste quando um gajo se senta à mesa depois do benfas começar e se levanta antes do mesmo acabar, quanto mais se só dmora 20 minutos...
e os jantares de 3 horas? isso é que é.

innocent bystander said...

elisa: mainada:

esdruxinho: no cu, pois, era o que eu tinha pensado. É uma manjedoura mas com uma decoração toda estilosa, hem? bah... jantares de 3 horas com calor na cara e a falar alto é do melhor.

Zélia said...

Depois deste comentários até medo de dizer que acho a ideia muito gira!
É óbvio que os jantares de 3 horas são muito mais saboreados! Mas acho bem que surjam novas ideias e novos conceitos a nível de restauração. Toda a gente que eu conheço pelo menos) se queixa da falta de originalidade deste país, do fraco desenvolvmento cultural!
Pois então está aí uma coisa nova, para experimentar concerteza.
Mas num dia que até esteja com pressa, claro está!

Bom fim de semana!

innocent bystander said...

zelia: eu, e a maior parte da malta com quem me dou, tenho um horário ao contrário: almoço em casa e janto fora. não estou três horas a jantar, claro, mas 20 minutos é coisa que normalmente não me passa na mona. para quem almoça fora até pode ser divertido, eu é que não vejo vantagem em mecanizar também e ainda mais as refeições. Uma pessoa já se sente mal num come-em-pé... mas pronto, tu aqui podes dizer o que quiseres! :-) bom fim de semana

Lisa said...

Isso não faz sentido nenhum... quanto mais tempo se está à mesa mais se petisca e bebe, o cliente acaba por pagar o tempo. Não se é grande negócio, além de ser antipático à brava.
Caramba, para comer à pressa já me chega a (às vezes meia) hora de almoço.

O Acordeonista said...

Devem ter cá um sucesso... 10 euros... para não ser alarve: "metam isso... às costas e ponham-se a andar". Para um sítio onde o pessoal não goste de estar sentado à mesa a comer um belo dum bitoque e a saborear um café ao fim da refeição. PQP.

Jo said...

eu sou completamente a favor das novas ideias, mas esta...
mais vale levar o almocinho na marmita...perde-se os 20 minutos e fica bem mais barato.
Já q a ideia é apenas comer. Eu sou pelos almoços e jantares com calma...e qd n há tempo: come-se uma sandocha, q é capaz de custar bastante menos de 10euros...

innocent bystander said...

lisa: o tempo é limitado, mas julgo que eles não mandam a malta embora, como nos pontos publicos de internet. quanto mais tempo ficares melhor - carregas o cartão e vais pagando.

acordeonista: podem meter tb os dez euros pelas costas acima.

jo: a ideia é comer, quietos e calados, sem «futilidades». há ideias e ideias, pois...

Zeka said...

Tamos no fim do mundo é o que é.
Mas até te digo, pensando bem é capaz de ser um bom negócio. Já viste o esquema!? Se demorarem muito a trazer o tacho, os vinte minutos passam e os otários dos clientes nem o cheiram, só pagam.
Ou então, servem a comida muito quente e os murcões passam os vinte minutos a soprar pra arrefecer, depois vem o empregado pô-los na rua e a mandá-los bufar ó caralho! A seguir é só pôr de novo a aquecer prós próximos clientes.
Hehehe, boa! Vou montar um negócio assim aqui no Porto.

Beijos e obrigado pela dica

innocent bystander said...

hum, acho que isso não funciona assim, Zeka: segundo percebi aquilo é buffet, ou seja, já está tudo feito. O que pode acontecer é que demoras 10m a tirar os morfes e depois só tens mais 10 para comer.

Navegante da Rua said...

Fdx, não pode uma pessoa ir uns dias para fora, ver o Fuíca levar na pá, e dá logo de caras com coisas destas à chegada.

Comer em 15 minutos, prescindir dos tempos da caca em que se comenta a porca da vizinha, a última conquista, em que se fuma um cigarrinho displicente??? NUNCA!!

Eles que tentem implementar isso em escala e vão ver se não levam com um protesto a la francesa em frente ao comedoiro. Oh, se levam!!!

Beijos